domingo, 12 de outubro de 2014

Parte 1.1 - Mundo

     Há cerca de 70 milhões de anos, na via láctea, existia um planeta esférico chamado Hory. Muito semelhante à Terra, este planetinha era populado por seres humanóides muito – mas muito mesmo – parecidos com os humanos Terrestres. Eles viviam em grandes conglomerados que cobriam toda a parte sólida do planeta e a parte não sólida era composta por água. 
     No geral, Hory era um planeta muito parecido com a Terra, porém, os Horyanos eram um pouco mais avançados intelectualmente do que os Terráqueos são hoje. Quando menciono isso, algumas pessoas querem saber o porquê. Existem vários motivos, mas vamos pegar um deles, a forma como eles solucionaram um problema que nós também enfrentamos atualmente na Terra: o excesso de carros que poluem o ar.
     Os veículos que eles utilizavam anteriormente eram muito semelhantes aos atuais carros Terrestres, e acabavam poluindo o ar que os Horyanos respiravam, tal como nossos carros fazem hoje, então os Horyanos desenvolveram em laboratório algo que chamavam de computadores mas que na realidade eram feitos de carne e osso. Estes veículos-computadores eram chamados de sontos e exstiam em diversos modelos. Pareciam-se com animais, pois tinham patas, rabos e cabeças, e por alguns momentos, pensavam por si mesmos. Alguns voavam, outros apenas andavam. E eles utilizavam como combustível diferentes materiais. Os herbívoros eram mais econômicos, eram movidos à folhas de árvores e enquanto não estavam sendo utilizados, estavam consumindo folhas nas ruas, já os carnívoros consumiam os modelos herbívoros. Os carnívoros eram mais potentes, mas acabavam dando um pouco mais de gasto aos donos, pois estes tinham de arcar com as despesas dos veículos que foram consumidos. Pensando bem, os sontos eram muito parecidos com os répteis o que os Terráqueos conhecem por dinossauros.
     Quando um Horyano queria ir para algum lugar, era só subir nas costas do seu sonto, cutucar a quinta vértebra da coluna três vezes, e dizer o endereço desejado, que o próprio sonto fazia o resto. Simples assim!
     Sem dúvida este sistema de veículos era muito legal e não causava danos ao meio ambiente, mas a coisa mais interessante de todo o planeta Hory, e que também mostra o quanto eram inteligentes, é o fato de que as pessoas podiam fazer algo bem diferente de tudo que conhecemos hoje: guardar seus pensamentos e suas consciências em pequenas caixinhas que chamavam de Porta-Mentes.
     Estas maquininhas eram bem simples. Eram brancas e tinham o tamanho aproximado de um sabonete comum. Para usá-las, bastava colocá-las sobre a cabeça e deixá-las ali por aproximadamente meio minuto, até que ficassem verdes e fizessem um “biiiiiiiip” de dois segundos que só podia ser ouvido no interior da cabeça do dono do Porta-Mentes. Os Horyanos costumavam fazer isso pelo menos 2 vezes por dia – geralmente pela manhã e à noite – para manter suas mentes com bastante espaço livre, mas não existiam limites de uso diário do dispositivo.
     O Porta-Mentes era utilizado a partir dos 4 anos de idade, pois era quando as crianças no planeta Hory começavam a ir para a escola. Antes disso, as crianças não tinham com o que se preocupar, pois só comiam, dormiam e brincavam o dia todo. Além do mais, estudos comprovaram que utilizar o Porta-Mentes antes dos quatro anos fazia com que a criança não aprendesse como deveria, já que ela não ficava com os pensamentos de aprendizado em sua cabeça o tempo todo. E aqui vai uma curiosidade: pelo menos 200 crianças entre 0 e 4 anos ficaram permanentemente lesadas quando este estudo foi feito, mas o governo disse ao povo que foi um lote de papinhas contaminadas, e tudo ficou bem. De volta ao assunto, quando uma criança começa a utilizar o Porta-Mentes, ele está no modo MdVI (Modo de vida Infantil) e ao se tornar maior de idade, é feito um upgrade para o MdVA (Modo de Vida Adulta).
     No MdVI, o Porta-Mentes suga menos pensamentos do que no MdVA, pois, apesar de nenhuma criança concordar com isso, os desenvolvedores diziam que as preocupações com a escola não eram tão estressantes quanto as preocupações do trabalho, e portanto, não necessitavam de um Porta-Mentes muito intenso.
     Como já foi dito, além de guardar pensamentos, o Porta-Mentes também guardava a consciência, ou seja, os pensamentos que entravam no dispositivo poderiam mudar, como se o dono estivesse pensando neles, mesmo que eles não estivessem realmente dentro da cabeça do dono. Parece complicado, mas com o tempo fica fácil entender, por exemplo: se um Horyano pensou que o novo corte de cabelo de sua vizinha era feio, e transferiu este pensamento para o Porta-Mentes, o pensamento podia continuar a ser pensado, mesmo que seu dono não pensasse mais nele, então, pode ser que quando o dono utilizasse o Porta-Mentes de novo, o pesamento não fosse mais de que o corte de cabelo era feio, mas sim de que ele era horrendamente feio.
     O Porta-Mentes era algo muito útil para os Horyanos, pois utilizando-o sobrava mais espaço na cabeça para seja lá o que quer que deixasse os indivíduos felizes – as pessoas deixavam no Porta-Mentes os seus problemas mais sérios, como os que tinham a ver com trabalho ou estudos, e mantinham os pensamentos do tipo “Que sabor de chá devo beber hoje?” ou “Pudim é uma palavra engraçada” em suas cabeças.
     Diferente do que parece, o Porta-Mentes não esteve presente desde o início da história dos Horyanos. Séculos antes, as pessoas eram assim como nós, Terráqueos, somos hoje. Tinham somente suas cabeças para guardar todas as memórias, todos os pensamentos, todas as preocupações, todos os nomes, todos os números de telefone – que por sinal, também funcionavam de maneira diferente, mas isso não vem ao caso – e também para pensar em tudo isso e mudar de opinião conforme passava o dia.
     Porém, chegou um momento na história dos Horyanos, em que eles estavam trabalhando demais e se divertindo de menos, e isso fez com que cerca de 90% da população de todo o planeta ficasse infeliz. Passaram-se anos sem que muita importância fosse dada para isso, até que o índice de homicídios causado por estresse e depressão subiu drasticamente, então iniciaram-se estudos urgentes em todo o planeta para tentar solucionar o problema.
     Vinte anos depois, o Porta-Mentes foi finalmente lançado para uso público no planeta Hory – vale ressaltar que apenas os 10% que não estavam extremamente estressados ainda restavam no planeta – e foi criado exatamente com o propósito de manter os pensamentos estressantes fora da cabeça dos Horyanos, para que os pensamentos não estressantes pudessem ser pensados com liberdade.
     Isso, de fato, solucionou o problema que Hory estava enfrentando, e em alguns séculos, o planeta já estava feliz e repopulado.

Atualizado em 20/10/2014.

Post sem história - Ideias

     Olá!

     Confesso que inicialmente fiquei contente com a ideia de que uma das avaliações da disciplina é escrever uma história, porém, assim que comecei a buscar inspiração, eu comecei com o que sempre acontece: ter um milhão de ideias ao mesmo tempo e não gostar de nenhuma.

     Comecei a escrever várias destas ideias, mas eu não estava contente com o resultado de nenhuma, resolvi deixar essa atividade de lado por uns dias, e quando retomei, comecei a reescrever a última ideia que eu havia tido, usando uma abordagem mais cômica do que dramática.

     Eis que surge a obra prima!

     Ok, pode ser que não se possa chamar de obra prima, mas ao menos eu me contentei com ela e já escrevi um pedaço, que virá no próximo post.

     Farei mais um "post sem história" se eu tiver mais alguma coisa para contar conforme a história for surgindo.

    Obrigada pela leitura! Volte sempre!